Pouco conhecido atualmente, porém jovem promessa do futebol brasileiro em 2005, esse é Luan Andrade Santana, de 24 anos que de meia amador das categorias de base do Corinthians, foi parar na lateral direita da Inter de Limeira.
Ele tinha um futuro promissor, dentre os 40 mil inscritos, apenas 4.082 preencheram os pré-requisitos – não ser federado e estar estudando – e foram convocados para a primeira seletiva, que aconteceu no Parque São Jorge, sede do Corinthians. Sob sol escaldante, os garotos esperaram por mais de duas horas na porta do clube. “Falei pra minha mãe que queria desistir, ir embora, porque já estava cansado, mas ela insistiu para que ficássemos”, revela Luan. O menino de Guarujá, com o número “0124” pregado na camisa do Corinthians, foi um dos 43 jovens jogadores que conseguiram passar pelo teste inicial, que consistia em dominar a bola no peito, driblar cones e lançar a bola para dentro de um mini-gol. Depois de passar por testes psicológicos, Luan foi um dos 22 garotos que carimbaram a passagem para o Centro de Treinamento Sendas, em São João de Meriti (RJ), local da gravação.
Os garotos selecionados tiveram doze dias para impressionar os jurados
Dunga, Bebeto e Zagallo. “O Dunga gritava muito com a gente, era bem
bravo”, recorda Luan. “Ele ficava louco porque eu carregava muito a
bola”. Os meninos receberam visitas de jogadores como Robinho, Cicinho e
Felipe (ex-meia de Fluminense e Vasco). Para Luan, o melhor foi jogar
bola nos corredores do Copacabana Palace, três dias antes do final do
programa, com Ronaldinho Gaúcho. Depois da eliminação de 18 garotos,
sobraram na disputa final Luan, Celso, Vinícius e Yuri.
No dia da
decisão, havia uma camisa laranja pendurada na rede, com o número 10 e o
nome tampado. Zagallo anunciou o vencedor ao tirar a fita branca e ler o
nome de Luan. “A ficha só foi cair depois de quatro dias”, conta. Além
de garantir quinze dias de treinamento no Corinthians, seu clube de
coração, Luan ganhou uma chuteira Tiempo Air Legend personalizada – que
nunca usou – e um par de ingressos para a partida entre Brasil e Chile (Brasil 5×0 Chile), em
Brasília, válida pelas Eliminatórias sul-americanas da Copa do Mundo de
2006. “Fiquei no mesmo hotel que os jogadores da Seleção, fui até
visitado em meu quarto pelo Adriano e pelo Robinho”, lembra. Quando o
menino guarujaense voltou à sua cidade natal, foi recebido com fogos.
“Parecia até que o Corinthians tinha sido campeão”, brinca.
Em 22 de agosto de 2005, Luan começou seu período de testes no
Corinthians, que deveria ter duração de 15 dias. No quinto treino, ele
conquistou a confiança do treinador Jorge Saran, assegurando uma vaga na
equipe sub-16. “Quando ele chegou ao clube, eu o levei até o ponto mais
alto do CT, lá em Itaquera”, conta Saran. “Disse para ele que aquilo
era o Corinthians, que ele deveria esquecer o ‘Joga 10′, e focar somente
no trabalho”. A estreia de Luan pelo time de coração foi em um clássico
contra o Palmeiras, válido pelo Brasileirão da categoria. O garoto
entrou quando o placar estava 2×1 para o rival. “Dei o passe para o
segundo gol e empatamos o jogo”, lembra Luan. Ele ficou até o início de
2007 no Corinthians, quando decidiu sair para o Santos. “O treinador não
me dava mais oportunidades e, por isso, decidi sair”, conta o garoto,
que hoje se diz arrependido de sua atitude. No clube da Vila Belmiro, o
vencedor do “Joga 10” começou a jogar cada vez mais longe da “camisa
10”.
“O treinador Lino disse que me havia visto jogar e que minha posição não
era armador, porque eu sabia marcar e tinha boa chegada ao gol”, lembra
Luan, colocado para jogar de volante. O garoto ficou no Santos até
2008, quando recebeu uma proposta do Porto, de Portugal. A estadia na
Europa não foi como esperada. Não vingou no Porto e mudou-se para o
rival Benfica. Abandonado pelo empresário, ficou apenas três meses no
clube até se transferir para o Feirense e conquistar seu primeiro
contrato profissional – permaneceu lá por 1 ano e 8 meses. Voltou ao
Brasil em 2009 para atuar pelo Goiás, depois se transferiu para o
Bragantino, onde ficou até 2012. No mesmo ano, disputou o campeonato
sergipano pelo Sete de Junho e, observado por empresários
centro-americanos, foi contratado pelo Unión Sabá, de Honduras, onde
ficou por cinco meses sem jogar, já que as inscrições haviam se
encerrado. “Pensei em desistir do futebol”, lembra. A volta ao Brasil
rendeu ao jogador a partida mais marcante de sua vida.
Quando crianças, Luan e Neymar Jr. brincavam juntos nos churrascos
oferecidos pela Portuguesa Santista, mas ambos não imaginavam que se
cruzariam, depois de tanto tempo, em uma partida no Pacaembu. Santos e
Grêmio Barueri faziam um amistoso preparatório para o Paulistão de 2013.
Antes de o jogo começar, o treinador Roberto Cavalo chamou o volante
Luan em um canto do vestiário e disse: “Não quero que ele jogue, se
vira”. Ele, no caso, era Neymar. A partida acabou 4×0 para a equipe
praiana, com um gol de Neymar de pênalti. “Ele tentou dar vários
dribles, mas só conseguiu passar por mim duas vezes”, jacta-se Luan. “Eu
queria ter pego a camisa do Arouca, mas ele já tinha trocado. Quando
tentei chegar no Neymar, a mesma coisa, então acabei dando a camisa que
usei para o meu pai”. Luan ficou no Grêmio Barueri até meados de 2013.
Depois passou ainda por XV de Piracicaba (SP), Marcílio Dias (SC) e São
José (SP).
Luan começou como “camisa 10”, passou por volante e depois se tornou
lateral-direito, pelas mãos do treinador Jura, ex-jogador de São Paulo,
Guarani e Flamengo. No primeiro treino visto pelo então novo técnico do
São José, Luan atacou pelas pontas, dando brecha para uma conversa no
final do treinamento. “Você não tem que ser volante, e sim
lateral-direito, como eu jogava”, decretou Jura. “Você marca e sai bem
para o ataque”. A mudança rendeu frutos para Luan: foi um dos melhores
laterais na reta final da Copa Paulista 2014. “Não me incomodo em mudar
de posição, eu só quero jogar”, afirma. Nas últimas partidas do ano,
Luan marcou dois gols de fora da área. Curiosamente, os chutes foram
dados com o par de chuteiras que Éverton Ribeiro, jogador do Cruzeiro e
da Seleção Brasileira, usou e presentou Luan, seu amigo desde as
categorias de base do Corinthians. “Mandei uma mensagem para ele pelo
Facebook pedindo e, em três dias, o par chegou”, conta Luan. Hoje, de
férias em sua casa no Guarujá, ele espera o início dos treinamentos em
Limeira. A esperança de Luan é que o Paulistão da terceira divisão
funcione como uma vitrine para voos mais altos.
Créditos: guiadoscuriosos.com.br



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