Arthur Friedenreich, um dos maiores jogadores de futebol brasileiro da
época do amadorismo. "El Tigre", como era conhecido, faleceu em 6 de
setembro de 1969, mas seu legado permanece nos dias de hoje. Uma
das grandes polêmicas que envolvem o ex-jogador é se
teria de fato marcado os 1239 (1329) gols que lhe atribuem, entre jogos oficiais ou não, feito que o
imortalizaria como o maior goleador da história do futebol
mundial.
Filho
de alemão e brasileira, Friedenreich começou a carreira no
Germânia, então com 17 anos. Passou logo depois por Ypiranga,
Mackenzie, Americano e esporadicamente por outros pequenos clubes
até se firmar definitivamente no Paulistano, clube que o consagrou
e que ajudou a consagrar.
Na França, virou "Rei do Futebol" ao lado de outros grandes
jogadores do clube alvirrubro da capital, quando realizaram a
primeira excursão à Europa, em 1925, e de lá só saíram com uma
única derrota em dez jogos, tendo inclusive goleado a seleção
francesa por 7 a 1 (com três gols do el tigre).
Em 1930, com a extinção do futebol do Paulistano, inscreveu-se
no São Paulo, recém nascido, dando importante contribuição para a
conquista do título paulista de 31, mesmo com 39 anos de idade. Em
1932, Friedenreich, lutou na
Revolução Constitucionalista de 1932.
Friedenreich atuou diversas vezes pela Seleção Brasileira, tendo
sido campeão sul-americano em 1919 e artilheiro do campeonato. Por
essa participação, aliás, é que ganhou a alcunha de El Tigre,
justamente por ter marcado o gol da vitória sobre os uruguaios na
decisão.
Uma dúvida terrível desafia os raros historiadores do futebol brasileiro
há quase meio século. Quantos gols teria feito Arthur?
O registro de seus incontáveis gols - que se acredita terem ultrapassado
de muito a barreira dos mil - foi levado por um caminhão de lixo da
Prefeitura de Santos, em 1962, entre restos apodrecidos de comida, latas
vazias e papéis inúteis. Perdido, portanto, para sempre.
Dentro e fora do Brasil, no entanto, não falta quem ainda lhe reconheça
tamanha grandeza. A algum tempo, por exemplo, uma respeitada obra de
referência sobre o futebol, The Encyclopedia of World Soccer, dedicou-lhe um espaço. Lá
está a definição, com todas as letras: "Foi o maior artilheiro da
história do futebol, com seus 1329 gols".
É uma imprecisão, infelizmente. A propagação do equívoco se deve a um pequeno deslize cometido pelo jornalista carioca João Maximo no apaixonante texto sobre Friedenreich que escreveu no livro "Os Gigantes do Futebol Brasileiro", publicado no Rio de Janeiro, em 1965. Ele assegurou, baseando-se nas pesquisas do veterano jornalista Adriano Neiva da Motta e Silva, o De Vaney, que Friedenreich teria marcado os 1329 gols.
Seria realmente um imbatível recorde mundial. Houve aí, no entanto, uma troca de algarismos. Segundo De Vaney, Friedenreich disputou 1329 jogos. E assinalou 1239 gols. Só que nao pode comprová-las.
Mesmo assim, De Vaney publicou (sem provas) os resultados de sua descoberta no jornal Tribuna de Santos. Houve repercussoes e desmentidos, o maior deles partindo do lendario Thomaz Mazzoni. Só uma pessoa poderia esclarecer o mistério. Foram encontra-la em sua casa, no bairro de Pinheiros, em São Paulo. Ele respondeu às perguntas com palavras vagas, os olhos verdes sem vida voltados para um ponto indefinido, as mãos esfregando os cabelos impecavelmente alisados. Morreria alguns anos mais tarde, em 6 de setembro de 1969, sem se lembrar de seus gols, de suas glórias e de seu nome: Arthur Friedenreich.
Seria realmente um imbatível recorde mundial. Houve aí, no entanto, uma troca de algarismos. Segundo De Vaney, Friedenreich disputou 1329 jogos. E assinalou 1239 gols. Só que nao pode comprová-las.
Mesmo assim, De Vaney publicou (sem provas) os resultados de sua descoberta no jornal Tribuna de Santos. Houve repercussoes e desmentidos, o maior deles partindo do lendario Thomaz Mazzoni. Só uma pessoa poderia esclarecer o mistério. Foram encontra-la em sua casa, no bairro de Pinheiros, em São Paulo. Ele respondeu às perguntas com palavras vagas, os olhos verdes sem vida voltados para um ponto indefinido, as mãos esfregando os cabelos impecavelmente alisados. Morreria alguns anos mais tarde, em 6 de setembro de 1969, sem se lembrar de seus gols, de suas glórias e de seu nome: Arthur Friedenreich.
*Os dados de Friedenreich ainda são muito pesquisados e
controversos. Esses números, mediante a luz de novos estudos, podem
ser alterados.

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